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Poeta do Mês

maos dadas

Nobres há muitos. É verdade.
Verdade. Homens muitos. É muito verdade.
Verdade que com um lenço velho
As nossas mãos foram enlaçadas.

Nós, como aliados, eu digo.
Panos, só um, tal qual afirmo.
A lua ilumina o meu feitio.
O sol ilumina o aliado.

Água de Héler! Pelo vaso sagrado!
Nunca esqueça isto o aliado.
Juntos, combater, eu quero!
Com o aliado, derrotar, eu quero!

A lua ilumina o meu feitio.
O sol ilumina o aliado.
Poderemos, talvez, ser derrotados
Ou combatidos, mas somente unidos.

Ruy Cinatti

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Poeta do Mês

Poeta do Mês (março)

Poeta do Mês (março)

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes (Londres, 8 de Março de 1915 — Lisboa, 12 de Outubro de 1986) foi um poeta, antropólogo e agrónomo português. O poeta e silvicultor Ruy Cinatti chegou, pela primeira vez, a Timor no mês de Julho de 1946. Tinha acabado de ser nomeado secretário do governador, quatro anos após a violenta invasão japonesa. Os tempos eram de reconstrução e nos primeiros tempos ficou confinado a serviços de secretaria. Até que o governador, nos últimos meses de 1947 o autoriza a percorrer livremente Timor, orientado por autóctones, a fim de elaborar um levantamento fitogeográfico que integraria a sua tese de licenciatura.
Em 1956, de regresso a Lisboa, Cinatti publica um manifesto “Em favor do Timorense” e dois anos mais tarde entrega às autoridades um “Plano de Fomento Agrário para Timor”.
Em Janeiro de 1975 dirigiu uma longa carta ao Diário de Notícias, prevenindo o país do perigo que Timor corria, mas a carta nunca foi publicada e a invasão indonésia foi para ele um rude golpe.