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Uma atividade na biblioteca

Os alunos da professora Josefa Costa, integrados na turma do 2º ano do Curso Vocacional Secundário, realizaram (quarta-feira passada) a leitura expressiva do conto de Manuel Alegre – ‘Uma estrela’. Foi aproveitado o ambiente da quadra natalícia existente na biblioteca escolar, que a nosso ver criou nos alunos um maior entusiasmo. A professora e a bibliotecária proporcionaram um pequenino lanche aos alunos no final da atividade e, logo após, foram distribuídos os prémios para os seis alunos que demonstraram mais desenvoltura na concretização dos objetivos. Fez também parte do júri o professor Miguel Carvalho, colaborador da biblioteca no presente ano letivo.

 

A terra tremeu em Lisboa

[…]
Uma delgada nuvem, que se estendia, a todo o seu comprimento como que em linha reta, estava patente no céu. Não se viam pássaros em lado algum, nem nas copas das árvores, nem tão-pouco sobre os telhados. As vergas dos navios estavam despovoadas. Sobre as ondas do Tejo nem uma única gaivota se deixava embalar. As vagas, porém, começaram de repente a embater com grande força no cais, era como se uma tempestade se anunciasse.
Só que não soprava uma brisa, por pequena que fosse.
Era sábado. dia 1 de novembro do ano de 1755. Tal com todos os anos, por ser Dia de Todos os Santos, a população acorria às igrejas, diante de cujas portas se formavam grupos de senhoras bem vestidas. As crianças provocavam-se umas às outras e eram repreendidas pelos respetivos pais. A cada passo que davam, os anciães apoiavam-se nas suas bengalas e ficavam de cabeça caída. Os nobres chegavam nos seus coches. (…)
Na rua lá fora, os coches passavam e faziam-se ouvir. Dezenas e dezenas deles. Ou então…não eram coches.
Lançou-se ao chão e tateou-o. O edifício estremecia.(…)
– Um tremor de terra?
Então, como se barris de pólvora tivessem explodido, ouviu-se um estrondo e ocorreu uma forte sacudidela. Antero olhou para o teto. Fragmentos de reboco caíram e o pó tapou-lhe os olhos. Pestanejou e passou a mão pelo rosto para limpá-lo. Lá fora as pessoas gritavam em pânico. (…)
Então o ribombar regressou. O chão tremeu, e foi então que um gigante por três vezes bateu com o seu enorme punho sobre a Terra, o que fez com que Antero desse involuntariamente um salto. Choveram pedras do teto. (…)
Na rua, por todo o lado, os prédios ruíam. Os telhados davam de si. As paredes caíam. O barulho era ensurdecedor. As pessoas fugiam do interior das casas, com as mãos agarravam pequenas figuras de santos, pressionavam-nas contra o peito e, com rostos desfigurados pelo medo, suplicavam por misericórdia. Algumas delas lançavam-se dos andares superiores dos edifícios que se desmoronavam, caiam na rua e aí ficavam, de pernas partidas.(…)

in ‘A Jesuíta de Lisboa’ (Titus Müller)