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Gabriel Garcia Márquez

Escritor, jornalista, editor e ativista político, Gabriel García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, Colômbia. Com a mudança dos pais para Barranquilla, conviveu intensamente com os avós maternos, que o criaram em sua primeira infância, e de quem recebeu intensa influência. Do avô, um veterano da Guerra dos Mil Dias, escutou histórias que muito influenciaram suas obras literárias. Estudou Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não chegou a se graduar.
García Márquez leu e viajou por muitas partes do mundo. Os autores que mais o influenciaram foram o tcheco Franz Kafka, o mexicano Juan Rulfo e o norte-americano William Faulkner. Foi-lhe concedido o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. “Cem Anos de Solidão” é considerado o romance introdutor de um estilo literário: o realismo mágico. Como ativista político, García Márquez se tornou um respeitado interlocutor de governos latino-americanos. Dentre seus amigos, destacam-se Fidel Castro, de Cuba, e o ex-presidente francês François Mitterrand.

Atividade de leitura na biblioteca

Lendo um conto de Manuel Alegre


Hoje – 10 de janeiro – os alunos da turma 8ºB CEF da professora Josefa Costa estiveram numa atividade de leitura na biblioteca. Aproveitando o que restava da decoração de Natal, os alunos leram um conto de Manuel Alegre – ‘Uma estrela’.
Reunido o júri, este deliberou atribuir o 1º prémio à aluna nº 15, Miriam Ferreira Ribeiro.
O 2º e o 3º prémios foram atribuídos respetivamente ao nº 5, Fábio Pereira, e nº 24, Maria Silva Dias.

Foi, em seguida, solicitado aos alunos que produzissem pequenos textos onde pudessem exprimir as suas vivências da quadra natalícia.
Depois de lidos, a professora Josefa Costa e a professora bibliotecária decidiram que se poderia destacar o texto escrito pela aluna Miriam Ribeiro (nº15).

‘Normalmente eu e a minha família não comemoramos o Natal. Nessa noite é costume ficar com os meus pais a ver filmes engraçados na televisão e, como nos damos muito bem, passamos o tempo todo na brincadeira.
Este ano foi um pouco diferente. Fui viajar até Aveiro com os meus tios. Estive lá cinco dias. Como estava muito frio e a chover, estivemos mais tempo dentro de casa à lareira. Para dizer a verdade foi bom, pois acabamos por nos conhecer melhor (houve coisas que passei a saber e que não fazia ideia!).
Nos últimos dias o tempo esteve um pouco melhor, por isso decidimos ir visitar a “nossa” aldeia em Viseu.
Sinceramente, apesar de não comemorar o Natal, não me faz muita diferença, visto que eu passo os fins-de-semana com a minha família (quer da parte da mãe, quer da parte do pai).

Até mesmo os amigos dos meus pais acabam por ser como “meus tios e tias” (visto que gosto muito deles)
O facto de ter pessoas que realmente gostam de nós e que estão sempre connosco quando mais precisamos, é mais um dos motivos pelo qual me faz estar bem todos os dias.
Foram poucas palavras, mas as suficientes para descrever o quanto eu amo as pessoas da minha família e o quanto elas me amam, por isso não necessito de dias específicos para estar com elas.
estas férias sempre deram para descansar!
‘ (Miriam Ribeiro)

Terramoto de Lisboa e a Literatura

(…)
A terra estava em fúria, qual um touro varado por petardos numa arena. Muitos iriam realmente interpretar aquelas convulsões como revolta moral da natureza, ante os pecados que os humanos andavam cometendo. Muitos acharam que o bom Deus do Papa castigava Lisboa pela sua submissão aos heréticos ingleses. Equivalente enlevo punitivo ocupava os jornais dos protestantes. Tinham sido poupados quase todos, contando entre eles menos de cem vítimas, porque em boa verdade aquele desastre se dirigia apenas aos papistas, como um solene aviso do senhor.
Lillias julgou-se em cima de um ser vivo, porque parecia haver um sentimento na forma como o chão se debatia. Aquilo que dentro dele se revolvia levava-o a rugir, ferido de morte. Escancarou uma enorme goela na encosta onde Lillias havia de encontrar-se, se tivesse avançado um minuto antes. A lama negra fumegava, como o bolo de alguma monstruosa digestão. O enxofre vinha directamente arremessado do inferno. (…)
Com o segundo abalo, desistiu. Sentou-se a espera de que o chão, por baixo dela, se abrisse, e a mão dos mortos se estendesse e a puxasse para a sua companhia. A sua educação religiosa fora apenas formal, feita de ritos e certo despotismo de palavras. Não esperaria ver no fim do mundo o supremo Juiz cobrindo os céus.
Dava por si sozinha e desvalida, uma pequena criatura mais, no meio das ervas e dos roedores. Ouvia os gritos da cidade ao longe. Corriam pelo ar, em vez dos pássaros que tinham procurado o vale de Alcântara e não mais se mexeram todo o dia. Lillias pensou que os vermes sairiam dos túneis subterrâneos. Pôs-se de pé, para que eles a não tomassem por um cadáver. Viu no horizonte, acima de Lisboa, uma poeira imóvel, como um escudo. Mas, no campo deserto, o sol mantinha a sua desusada intensidade. Lillias sentia sede. (…)
Foi alcançada pelos fugitivos.

‘Lillias Fraser’ – Hélia Correia