1 de dezembro de 1640

[…]

Os trabalhos da conspiração ultimaram-se na reunião do dia 28 de novembro, tendo ficado definitivamente marcado, para a acção decisiva, o dia 1 de dezembro. No entanto, em 30 de novembro houve ainda novo encontro dos conjurados, em casa de D. Antão Vaz de Almada.

Conta Pinheiro Chagas:

«Ninguém hesitava; uns, no entanto, redigiam os seus testamentos, enquanto outros encomendavam missas aos religiosos. nessa tarde, alguns populares mais influentes haviam afirmado aos nobres que Lisboa inteira responderia ao grito de liberdade…»

Quando os conjurados se separaram, a noite estava carregada e triste. Era a última noite de escravidão. As breves horas que ainda decorreriam para soar a liberdade seriam marcadas pela impaciência, mas todos os ânimos se conservavam firmes. Dentro em pouco – pelas nove horas da manhã de 1 de dezembro – Portugal ficaria livre da dominação estrangeira… ou a fúria castelhana esmagaria os audaciosos.

Eram momentos de fé e de receio, de esperança e de dúvida…

[…]

in ‘Quadros da História de Portugal’ (Luis António Cordeiro de Lima – 1985)

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